Médicos denunciam atraso e pagamento fracionado em Pronto Atendimento; Prefeitura afirma que não deve nada à empresa terceirizada
Profissionais relatam falta de previsão para recebimento e apontam dificuldade de diálogo com responsáveis pela gestão. Prefeitura afirmou que o serviço é terceirizado e os pagamentos estão em dia com a empresa.
Imagem por Fernando Araujo / Folha de Iperó e Texto por Folha de Iperó - 04/05/2026 às 19:59
- Atualizado 04/05/2026 às 19:59
Médicos que atuam no pronto atendimento de Iperó denunciaram à reportagem da Folha de Iperó atrasos nos pagamentos e um modelo considerado incomum de remuneração, feito de forma fracionada. Segundo os relatos, profissionais que prestaram serviços no mês de março ainda não receberam os valores até o início de maio.
De acordo com um dos médicos ouvidos pela reportagem, que preferiu não se identificar, os pagamentos vêm sendo realizados “em partes”, prática que, segundo ele, já ocorre há anos no município. “Eles dividem o pagamento em duas ou três vezes, algo que nunca vi em outros lugares. Não há uma data fixa, e isso dificulta muito”, afirmou.
Além do parcelamento, os profissionais relatam que os prazos prometidos não vêm sendo cumpridos. “Disseram que pagariam uma parte no dia 20, depois no dia 30, mas não aconteceu. Agora falam em dia 10, mas sem garantia”, explicou.
O médico também destacou que a incerteza tem impactado diretamente os profissionais. Segundo ele, alguns colegas evitam questionar a situação por medo de perder espaço nas escalas. “Como a contratação é por empresa terceirizada, existe receio. Quem questiona pode ser facilmente substituído”, disse.
Ainda segundo o relato, a situação levou alguns profissionais a deixarem o atendimento. “Eu mesmo pedi para sair da escala por conta dos atrasos. Isso acaba prejudicando não só os médicos, mas também a população”, afirmou.
Prints de conversas enviados à reportagem mostram tentativas de contato com responsáveis pela gestão, incluindo autoridades locais e pessoas ligadas à área da saúde, sem retorno até o momento. Em uma das mensagens, há cobrança direta sobre o pagamento atrasado de pediatras que atuaram nos plantões de fim de semana.
Os profissionais afirmam que a justificativa apresentada seria um suposto atraso em repasses federais, argumento que é questionado pelos médicos. “Trabalho na região desde 2018 e nunca vi esse tipo de justificativa em outros lugares. Não parece coerente”, disse a fonte.
O que diz a Prefeitura
Questionada pela nossa reportagem, a Prefeitura enviou uma nota de esclarecimento, afirmando que o pagamento é aos médicos é feito pela empresa terceirizada e que a Prefeitura está com os pagamentos em dia com a referida empresa.
Segue na íntegra: “A Prefeitura de Iperó, por meio da Secretaria de Administração e Finanças, esclarece à Folha de Iperó que o serviço médico do Pronto Atendimento Municipal é prestado por meio da empresa terceirizada MEDICINA PRIME LTDA. Informamos que inexistem débitos da Administração Municipal com a referida empresa, e que todos os pagamentos devidos pela Prefeitura estão sendo realizados rigorosamente dentro dos prazos legais e convencionais. No que diz respeito ao pagamento dos trabalhadores por parte da terceirizada, a gestão e fiscalização do contrato é a responsável pela verificação dessas obrigações e, diante dos relatos, já sinalizou a empresa para que apresente as comprovações atinentes aos últimos pagamentos de seus profissionais. A Prefeitura reitera que não há atrasos em repasses que impactem suas obrigações contratuais e que segue monitorando a prestação do serviço para garantir a assistência à população."