CRIME: Animais morrem após suposto envenenamento em Condomínio de Iperó

Três gatos e um animal silvestre morreram; outros dois gatos foram internados e sobreviveram. Polícia investiga o caso e materiais encontrados foram encaminhados para perícia

CRIME: Animais morrem após suposto envenenamento em Condomínio de Iperó Imagem por Arquivo Pessoal e Texto por Alyne Troiano / Folha de Iperó
  • 07/09/2026 às 18:00
  • Atualizado 07/09/2026 às 18:00
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Moradores do Condomínio Vale das Orquídeas, registraram a morte de três gatos e de um animal silvestre, além da internação de outros dois gatos, em ocorrências registradas entre os dias 29 e 31 de agosto. A suspeita é de que os animais tenham sido intoxicados após consumir ração misturada a uma substância semelhante ao chamado “chumbinho”. O caso é investigado pela Polícia.

De acordo com Silvia Andrade, síndica do condomínio, o primeiro gato foi encontrado morto na manhã do sábado (29). Na noite do mesmo dia, outro animal morreu e, no domingo (30), houve uma terceira morte. Um saruê também foi encontrado morto no domingo. Dois gatos chegaram a ser internados e sobreviveram.

 

Recipientes encontrados no condomínio

Segundo a síndica, após os primeiros animais apresentarem sintomas, foram encontrados três recipientes contendo ração e uma substância identificada inicialmente pelos moradores como “chumbinho”. Na segunda-feira (31), um quarto recipiente com ração e a mesma substância suspeita também foi localizado.

Os recipientes teriam sido confeccionados a partir de garrafas PET cortadas. Conforme Silvia, moradores encontraram partes das garrafas em uma lixeira do condomínio e verificaram que elas se encaixavam nas bases utilizadas como recipientes para colocar a ração.

Os materiais encontrados foram recolhidos e entregues à polícia no dia em que os moradores registraram o boletim de ocorrência. Segundo a síndica, o material foi lacrado e encaminhado para perícia, que deverá apontar a composição da substância.

 

Iscas foram encontradas em diferentes pontos

Ainda segundo Silvia, três dos recipientes foram encontrados em diferentes locais do condomínio: dois na área social, sendo um próximo ao parquinho e outro nas proximidades do salão social, e outro próximo a uma casa onde morava uma das vítimas. O quarto recipiente foi localizado na guia da rua, em frente à residência de uma moradora cujo gato precisou ser internado, mas sobreviveu.

A localização de uma das iscas próximo ao parquinho também chamou a atenção dos moradores, já que o espaço é utilizado por crianças.

A síndica informou que, na segunda-feira, uma equipe de jardinagem realizou uma varredura durante todo o dia nas áreas comuns do condomínio para procurar outros recipientes ou possíveis vestígios. De acordo com ela, nenhum outro material considerado suspeito foi encontrado durante a ação.

 

Moradores registraram boletim de ocorrência

As pessoas que perderam animais e os responsáveis pelos gatos que precisaram de atendimento veterinário registraram boletim de ocorrência na segunda-feira. O caso está sendo acompanhado por um investigador e advogado.

A administração também buscou apoio da Secretaria de Meio Ambiente, que, segundo Silvia, esteve no condomínio e realizou uma análise do local, colocando-se à disposição para auxiliar nas providências necessárias.

Moradores que possuem câmeras de segurança foram orientados a encaminhar imagens à administração caso tenham registrado alguma movimentação considerada suspeita. Parte dessas imagens já teria sido entregue para contribuir com a investigação.

Relato de moradora

Priscila, moradora do condomínio e tutora de uma das gatas que morreu, relatou que, na manhã de 29 de agosto, sua filha foi avisada por uma vizinha de que o animal estava passando mal. A gata havia se escondido em um bueiro e precisou ser retirada do local. Segundo Priscila, diante dos relatos de outros gatos passando mal no condomínio, ela suspeitou que pudesse se tratar de envenenamento.

O animal foi levado imediatamente a uma clínica veterinária, mas não resistiu. Enquanto estava na clínica, Priscila foi informada de que havia sido encontrado um recipiente com ração e uma substância que os moradores suspeitaram ser “chumbinho”.

Após retornar ao condomínio, segundo ela, crianças encontraram outros recipientes com ração e a substância. Durante as buscas por vestígios, também foram localizados pedaços de garrafas PET cortadas que, conforme o relato, se encaixavam nos recipientes encontrados.

Priscila afirma ainda que, no dia 30, foram encontrados um saruê e um pássaro mortos. No dia seguinte, outro recipiente com ração e substância suspeita foi localizado, juntamente com mais um gato morto.

Ao todo, segundo o relato da moradora, foram três gatos mortos, dois gatos internados que sobreviveram, um saruê morto e dois gatos que continuam desaparecidos.

Priscila diz ainda que após a morte da gatinha, chamada Sofia, os dias tem sido difíceis e que teme que a pessoa responsável pelos envenenamentos volte a praticar o crime. 

“Minha filha está muito triste, eu não durmo direito com medo que aconteça mais maldades, tenho mais 5 gatos. Semana muito difícil pensando o porquê disso tudo, ela era minha filha que só me dava carinho e comia na minha casa. Ela era feliz e não fazia mal pra ninguém, dormia na minha cama. Agora vivo com medo, receio de que a pessoa volte a fazer de novo”, finalizou

Orientação aos moradores

Diante dos acontecimentos, a administração orientou os moradores a manterem seus animais dentro de casa sempre que possível. Quando precisarem sair com os pets, a recomendação é evitar que eles comam ou lamber qualquer objeto encontrado pelo caminho.

A orientação também é para que qualquer recipiente, alimento ou objeto considerado suspeito seja comunicado imediatamente à administração, sem que os moradores manipulem o material. A investigação deverá determinar a substância utilizada, como os recipientes foram colocados no condomínio e se houve ação criminosa, além de buscar identificar o responsável.

 

Iperó foi pioneiro no reconhecimento de animais como seres sencientes

Há poucos dias publicamos na Folha de Iperó uma reportagem sobre a emenda à Lei Orgânica Municipal, nº 018/2026, art 187-A do vereador Nenão Valário que foi aprovada por unanimidade e promulgada em 29 de abril deste ano, que reconhece os animais como seres sencientes que possuem natureza biológica e emocional, capazes de sentir dor, sofrimento e alegria. Apesar da emenda por si só não estabelecer novas penas criminais, ela cria uma diretriz para atuação do poder público municipal, que deveria garantir o bem-estar animal e impedir violência e maus-tratos.