Após surto de virose, visitas ao presídio de Iperó são suspensas
Há pelo menos 15 dias, as visitas à Penitenciária “Dr. Odon Ramos Maranhão” estão suspensas por causa de um surto de virose. Ao menos 122...
Imagem por Folha de Iperó e Texto por Folha de Iperó - 27/12/2018 às 11:58
- Atualizado 01/03/2023 às 11:58
Há pelo menos 15 dias, as visitas à Penitenciária “Dr. Odon Ramos Maranhão” estão suspensas por causa de um surto de virose. Ao menos 122 sentenciados foram infectados, e apresentaram casos de diarreia, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP).
Familiares dos presos entraram em contato com a reportagem para reclamar da falta de informação prestada pela SAP ou pela administração local da unidade. A principal queixa é a falta de informação, principalmente em relação ao estado de saúde dos presos.
Uma das familiares, que deu entrevista mas não quis se identificar, afirma que há um desencontro de informações. “A gente liga no presídio, pede para ligar só na sexta-feira, um dia antes da visita. Depois ligamos na corregedoria, eles falam que é uma intoxicação alimentar, então ninguém sabe de nada”, reclama. Esta reclamante vem de um município há pouco mais de 200 quilômetros de Iperó. “Eu pego a van às 23h, chego em Iperó por volta das 5h ou 6h. Se eu for e não tiver a visita, tenho que esperar a van até às 17h. É uma situação muito triste”, destaca.
Outra reclamante, que não quis se identificar, e vem de um município a pouco mais de 100 quilômetros de Iperó, também questiona a falta de informação. “Se a gente liga na Corregedoria, cada hora falam uma coisa. Primeiro disseram que a Vigilância Sanitária ia lá em uma data, para ligar depois. Quando liguei no dia que pediram, falaram que a Vigilância Sanitária iria lá em outra data. É uma enrolação”, afirma. “Eles poderiam, pelo menos, passar uma listagem dos que estão doentes. Tem muita mãe desesperada para saber se os filhos estão tomando medicação ou não”.
Algumas das familias se organizam em pequenos grupos e, em vez de irem de van, pagam um motorista. Uma delas, que vem de uma cidade há quase 300 quilômetros de distância de Iperó, lembra que sua situação fica ainda pior, porque não costuma fazer as visitas em todos os finais de semana. “Eu trabalho, sou assalariada, então não posso ir toda vez. Vou a cada 15 dias. Na última semana, eu soube que não poderia fazer a visita duas horas antes de ir viajar, por sorte. Senão, perderia a viagem”.
Resposta
Por telefone, a direção da unidade prisional foi procurada, mas não quis se manifestar. Por meio de nota, a SAP informou que “todos os sentenciados que apresentaram os sintomas foram devidamente atendidos pela equipe médica e enfermagem do setor de saúde da unidade prisional, sem a necessidade de remoção”.
Além disso, a SAP destacou que, mesmo com 122 presos diagnosticados, não houve casos novos nos últimos dias. “Os sentenciados que apresentam alguns sintomas estão sendo medicados para evitar o aumento dos casos, a equipe de saúde visitou os pavilhões e fez orientações de higienização básica e explicação para evitar mais casos e em decorrência do surto de diarreia foi realizada desinfecção nas dependências habitacionais”, reforça a nota.
“As movimentações internas dos sentenciados foram canceladas, as movimentações externas dos sentenciados que apresentaram os sintomas estão sendo canceladas e justificadas para os órgãos solicitantes. Observamos ainda que foi realizada a coleta de material para avaliação laboratorial, onde não foi detectada a presença de nenhuma bactéria, portanto o fato foi provocado por um vírus”, informa, ainda, a SAP. A nota enviada para a reportagem, no entanto, não informa quando as visitas serão retomadas.