Mães de Plantão: Mulheres que assumem a dupla jornada
Para comemorar o Dia das Mães, a Folha de Iperó foi conversar com um grupo de mães que estão cuidando não só dos próprios filhos,...
Imagem por Folha de Iperó e Texto por Folha de Iperó - 12/12/2018 às 19:08
- Atualizado 01/03/2023 às 19:08
Para comemorar o Dia das Mães, a Folha de Iperó foi conversar com um grupo de mães que estão cuidando não só dos próprios filhos, mas também dos filhos de todos os iperóenses. Duas enfermeiras e uma médica que se dividem entre o papel de mãe em suas casas e trabalhadoras da saúde no Pronto Socorro de Iperó.
Ter filhos nunca foi uma tarefa fácil, sempre exigiu o máximo das mulheres, que muitas vezes assumem o papel da criação sozinhas, sem ajuda dos pais biológicos. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pelo menos 5,5 milhões de crianças não tem o nome do pai biológico.
Nesse contexto, ser mãe e conciliar uma carreira profissional é um trabalho dobrado. Esse é o caso das profissionais da área da saúde. A dupla jornada das trabalhadoras muitas vezes acaba sacrificando o tempo com a família, para atender os pacientes no dia-a-dia exaustivo dos hospitais e pronto atendimentos elas precisam de ajuda para dar conta de todas as funções.
Essa é a história da Valéria Cristina Soares Cuter, que com dois filhos precisa do auxílio da irmã, da mãe e do marido para educar seus dois meninos. A técnica em enfermagem conta um pouco de como é essa relação.
“Eu chego a ficar 24 horas longe deles. Mas nesse período telefono, converso com eles, digo o quanto eu os amo. O mais velho tem 12 anos e sempre diz que tem muito orgulho de mim. O menor tem 6 anos, pra ele tudo o que acontece ele já fala, ‘minha mãe cuida de pessoas, minha mãe é enfermeira.’ No começo era difícil, a saudade e a preocupação são grandes. Mas o que tranquiliza é que eles sempre ficaram com pessoas em que eu confio, que cuidam deles com o mesmo carinho,” desabafa a mãe.
Márcia de Paula Luna vive a mesma realidade, enfrenta os plantões deixando seus filhos em casa para cuidar de outras famílias em Iperó. “Hoje em dia eles tiram de letra, antes era mais complicado. Agora eles sentem muito orgulho de ter uma mãe enfermeira, que cuida e ajuda outras pessoas, inclusive dos amigos deles. Isso é muito gratificante,” explica a enfermeira, que complementa relembrando sobre as vezes que precisou escolher o trabalho, “eu falo que quando alguém entra nessas profissões da saúde, nós já estamos cientes de que vamos ter que abrir mão de datas importantes na sua vida, porque você está ali para qualquer coisa. Eu já precisei abrir mão de natal, ano novo, aniversários dos meus pais, dos filhos. Mas para nós estar ali cuidando e sendo útil para os pacientes é muito gratificante, não tem dinheiro no mundo que pague isso, a gratidão de quem nós estamos cuidando.”
Essa não será a primeira vez que as duas agentes de saúde trabalharão no Dia das Mães. As duas funcionárias do Pronto Atendimento de Iperó já estão acostumadas a serem mães e estarem sempre de plantão, uma vez que também trabalham em outros hospitais da região.
Apesar das dificuldades, as enfermeiras não sofrem com a distância e com as longas cargas horárias de trabalho, para elas tudo vale a pena quando elas estão cuidando de quem precisa. “Quando entramos dentro de um hospital esquecemos as datas, os feriados e nos dedicamos a fazer o que sabemos fazer melhor que é cuidar e medicar. É gratificante ver um paciente bem e poder ajudar a salvar uma vida. E isto não tem preço, enquanto cuidamos de outros, Deus cuida dos nossos,” afirmou Valéria.
Questionada sobre o que a movia dentro da profissão, Marcia foi categórica ao dizer, “a enfermagem é a arte de cuidar incondicionalmente, é cuidar de alguém que você nunca viu na vida, mas mesmo assim, ajudar e fazer o melhor por ela. Não se pode fazer isso apenas por dinheiro. Isso se faz por amor,” emocionou-se a enfermeira ao responder.
A médica Joyce Duarte Assis também trabalha no pronto atendimento da cidade. A mãe de primeira viagem teve que conciliar a carreira com as gêmeas Alice e Helena que chegaram em sua vida. “A mudança maior que eu percebo, é que depois que virei mãe, penso que tenho que ser melhor em tudo. Como pessoa, como profissional, como esposa e como médica, esta não é uma missão muito fácil,” explica a médica.
Joyce dá dicas para futuras mães que por ventura também sejam profissionais da saúde. “O meu conselho seria criar uma rede de apoio eficiente. É muito importante trabalhar com a cabeça o mais tranquila possível, sabendo que os filhos estarão bem cuidados por familiares, babás, ou até mesmo em uma escolinha,” aconselhou a médica.
Márcia, Valéria e Joyce são apenas um exemplo da dura realidade vivida pelas mulheres no país afora, que muitas vezes sozinhas, precisam trabalhar e cuidar dos filhos. As mães de plantão dividem não só seu tempo, mas o seu amor com seus pacientes, atendendo todos como se fossem seus próprios filhos, dando carinho e cuidados a quem passa pelo Pronto Atendimento de Iperó nos inúmeros plantões que frequentam.