DIA DAS MÃES: Quando a vocação maternal prevalece sobre a profissional

Vestir as calças, camisa, botinas e, na cintura, uma arma. Este é, basicamente, o uniforme de trabalho de quem compõe a Guarda Civil Municipal (GCM)...

DIA DAS MÃES: Quando a vocação maternal prevalece sobre a profissional Imagem por Folha de Iperó e Texto por Folha de Iperó
  • 14/12/2017 às 17:55
  • Atualizado 01/03/2023 às 17:55
Compartilhe:

Tempo de leitura: 00:00

Vestir as calças, camisa, botinas e, na cintura, uma arma. Este é, basicamente, o uniforme de trabalho de quem compõe a Guarda Civil Municipal (GCM) de Iperó. No entanto, no caso de Priscila Cristiane dos Santos Neves, e de Luciana de Moraes, a farda da GCM tem um peso ainda maior. As duas são mães, e revelam como a experiência da maternidade influencia no dia a dia da profissão.

Priscila tem 37 anos, e é moradora do Jardim Irene. Ela tem duas filhas, uma de sete, e outra de 13 anos, e entrou para a corporação depois de ser mãe. “Eu era da área da saúde, e sempre achei essa profissão bonita. Então eu me divorciei e conheci meu atual esposo, que é da Guarda há 18 anos. Ele me incentivou, eu prestei o concurso, e passei. É uma profissão em que posso ajudar as pessoas”, ressalta.

Toda vez que saio de casa para trabalhar, Priscila tem um objetivo: proporcionar segurança à população. “Não deixa de ser uma profissão de risco, mas eu dando o meu melhor, posso fazer com que minhas filhas, futuramente, possam ter mais segurança. É um trabalho de formiguinha”, destaca. Priscila conta que as meninas apoiam a profissão da mãe, e que sua atividade ajuda muito na educação. “Minha mente sempre foi muito bem focada. Eu procuro mostrar sempre para elas o certo e o errado. É o que eu posso passar para elas, sempre orientar. Ainda mais a gente, que tem uma convivência maior com a criminalidade”.

 

Equilíbrio

No entanto, ser mãe e atuar na Guarda Civil Municipal também traz outras implicações. Priscila conta que já se deparou com ocorrências que, como mãe, a afetaram mais. “Eu estava na delegacia, apresentando uma ocorrência, quando a Polícia Militar chegou com um outro caso, de abuso a uma criança de três meses. É uma coisa que choca a gente. Quando se é mãe, a gente se coloca no lugar daquela situação”. E para poder encontrar o equilíbrio e não deixar que o trabalho afete em sua vida pessoal, Priscila recorre à religião. “Eu vou na igreja, sou evangélica, então eu procuro colocar Deus em primeiro lugar. Converso com Ele e peço para ele tirar sentimentos ruins de mim. Se a gente não souber e não conseguir separar, não dá para ficar na profissão muito tempo”. Já na convivência com as filhas, a rotina, para Priscila, não atrapalha. “Eu tenho uma escala boa: se eu trabalho hoje de manhã, no dia seguinte, só entro à noite, e depois tenho dois dias de folga. Dá para ficar bastante com elas”.

 

Insegurança

Mas, quem está nessa profissão também sofre com a insegurança. É o caso de Luciana, na corporação há dez anos, e uma filha de cinco. Mãe solteira, Luciana mora em Tatuí e tem jornada dupla: trabalha na Guarda Civil Municipal de Iperó e é enfermeira no município vizinho. “Quando engravidei, minha vida mudou bastante. Passei a atuar na parte interna, por causa dos riscos, e trabalhei até cinco dias antes da minha filha nascer. Hoje penso mais nos riscos que posso correr”, afirma.

Luciana conta que não hesita em agir em uma ocorrência, mas sempre pensa no futuro de sua filha. “A gente sai da nossa casa, deixando nossos filhos sendo cuidados por outras pessoas, para cuidar de alguém que a gente não conhece. Eu penso em sair da GCM, porque o risco, hoje, é para ela”.

A Guarda lembra de uma ocorrência em que atuou: uma perseguição a bandidos, em um carro roubado, em uma área rural da cidade. “A gente sabia que podia encontrar com eles a qualquer momento, e que poderia ter uma troca de tiros e eu ser baleada. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi minha filha”, lembra. Na ocasião, os bandidos foram abordados por outros guardas, que estavam em uma outra viatura, em apoio à ocorrência. “A partir do momento que você está nessa profissão, mesmo à paisana, você corre o risco. Tem pessoas lá atrás, que se lembram de mim, e dentro de uma possibilidade, podem querer vingança”.

A história de Priscila e Luciana mostra como o instinto materno, quando unido à vida profissional, pode causar diversas influências. Mesmo com pensamentos diferentes, uma coisa não se pode negar: ser mãe sempre vai ser a atividade principal de uma mulher – e isso sempre será motivo de orgulho.